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Dendrobium [01Jul'08 | keiki]
Dendrobium [01Jul'08 | keiki]
Dendrobium [01Jul'08 | keiki]
Dendrobium [01Jul'08 | keiki]
Dendrobium [01Jul'08 | keiki]
Qual sanguessuga vegetal, vai consumindo o corpo desnudado do seu antepassado, aproveitando-se da sua podridão e decrepitude, desgastando-o, desbastando-o, moendo-o em seu único benefício, chupando o que lhe resta de útil, numa sacra exsanguinação de fecho de um ciclo natural, previsto, inevitável e incensurável. As extremidades da corda do remoinho biológico unem-se por fim, discretamente, sob o sol de uma tarde como outra qualquer.
...Tu e a tua estagnação. Tu e a tua merda lamacenta, tu o teu paúl. Tu e as tuas noites e tardes, os teus momentos de anacronia, um tempo estagnado num tempo indescritível, imensurável e indiscernível. Sentas-te comigo no mesmo sítio que eu, envolves-me nesse torpor irreconhecível, sem prenúncio nem aviso, a ponto de não saber sequer de onde vem. Isto é bílis negra, daquela antiga de que nunca ninguém mais falou. É de repente, de um momento para o outro, entrar no zen errado, por engano - enganei-me na porta sem sequer abrir nenhuma. Tu abriste-a por mim... Ou antes: abriste-a tu por mim?
Fico eu nesta nostalgia do presente, sem acção nem reacção, sem reacção porque não houve acção para poder reagir! Esta densificação do ar que me envolve e que me limita, asfixiante, os movimentos. Foste tu? Foste tu que me provocaste esta resiliência imbecil?
Tudo é mais estranho quando não sei se foste tu, nem sequer se tu não és a presença mais constante de mim mesmo. Hei de te chamar tu? Eu? É melhor não chamar nada, não te vá eu invocar. Ou invocar-me, sei lá! Além de que tu, a seres tu, és tanta gente... Mas o sujeito não importa, o predicado é o mesmo: 2007 não acabará jamais. São cacos de mim próprio. Mas sem heterónimos nenhuns a embelezar a coisa.
Auto-indução [6Mai'08]
Estrudes bate com a enxada,
bate, bate com a enxada as rugas de Estrudes,
de onde pendem lânguidas lianas de um musgo
que entesa como canas de pesca,
roçam o chão deixando as marcas de caminho-de-ferro do psicadelismo
e ela diz coisas incompreensíveis e ela depenica alegremente a bolacha do suor amassado das regras gramaticais.
Pendem verbos entrelaçados nas lianas da barba de Estrudes que bate com a enxada.
Enxada.
Bate, bate sem parar.
Bate, bate, com doçura de mãe, o cabo brota da enxada, da pele de Estrudes, que bate com a enxada.
Bate, bate com a enxada. Enxada na terra,
bate bate Estrudes com doçura de liana que se masca
enquanto se ouvem histórias à lareira,
com as rugas que bate bate com a enxada com rugas que batem batem nas lianas da enxada,
com a Estrudes que pensa enquanto dorme, com as rugas do musgo do esquecimento, das ideias mais longínquas que assolam no ser da pradaria interior. Bate. Bate. Bate sem saber.
- Mood:Circunspecto
Ficus carica
Acer palmatum
Dendriobium
Dendrobium {um keiki}
Ehretia buxifolia (ou Carmona microphylla)
Catalpa bignoinioides
Acer negundo
Ficus retusa
unknown species (please, somebody? :p)
Jacaranda mimosifolia
Phalaenopsis 'striped'
Phalaenopsis 'spotted'
Junipeus horizontalis
Tamarindus indica
Crassula arborescens
Liquidambar orientalis
De que servem as flores que nascem
Pelo caminho?,
Se o meu caminho,
Sozinho,
É nada.
(Tom Jobim)
Pelo caminho?,
Se o meu caminho,
Sozinho,
É nada.
(Tom Jobim)
- Mood:
cheerful - Music:Billie Holiday - My Sweet Hunk O' Trash
A areia tilinta no azul da caganeira da Presidente.
Dá-me cólicas pensar, sequer ao menos as tranças da igreja comercial que espirra diodos de nhanha por fora dos pêlos do trance.
As gaitas de foles não me largam o lobo da orelha, entradas desconexas da imaginação criativa, faz-se buracos no chão com a testa. O álcool burbulha como acne no estômago do gigante que é o nosso ego. [Good Times|1Fev'08]
[Coffee addicted|27Jan'08]
Nos últimos tenho cumprido a premissa de que se bebe mais cafés do que água durante o dia.. Quando morrer serei um grão de café! E não é que ande a dormir pouco... É mais a minha cabeça a inventar coisas para fazer, exercício a que se preza bastante em época de exames...
- Mood:working
31-12-2007 @ Montargil
Acaba-se assim um ano. Esta tarde de dia 31 parece que foi pintada de propósito. Pareceu-me ouvir do vento alguma coisa do género "pronto... já acabou". Só espero que 2008 seja uma rampa para 2009, sempre a melhorar. 2007... ficará marcado à força, para sempre, na minha memória, pelas piores razões.
Mas nem tudo é mau, afinal, já estamos em 2008 e já descobri que James Brown é coca sonora...
Mas nem tudo é mau, afinal, já estamos em 2008 e já descobri que James Brown é coca sonora...
- Mood:
contemplative - Music:Nirvana - Heart-Shaped Box
P,
A silenciosa existência vai-se arrastando, lentamente rastejando pelo ar, lança amarras na minha consciência, puxa repuxa os meus cabelos ou qualquer outra coisa de alguém à qual se possa agarrar, vai preenchendo o espaço de um alegre e parvo riso que pinta de negro as superfícies e o éter, qualquer coisa onde toque. É o Rei Midas, é o Rei Midas! É o Rei Midas mas ao invés do ouro é isto, é esta espera, é este escuro, é esta interrogação de como será que é dentro do escuro, onde não vejo, onde não sei sequer se existe alguma coisa. E eu vou adubando, e vou regando, e adubando e regando, pelo meio de telefonemas, trabalhos, noites, guerras, viagens, risadas e falsas esperanças.
- Mood:
pissed off
- Mood:
uncomfortable
