[Galerias]
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Aqui estamos nós nesta eternidade
Fresca voluptuosidade de espírito
Que aponta tão somente para a frente
Para o caminho a percorrer
Pois os negros caminhos da Humanidade
Percorridos pé ante pé sem ponderação
Não são mais que reflexos inúteis e desinteressantes
Do a priori mais primitivo
Que cabe a nós ignorar
A cada peito cheio de ar
Que vemos pasar por aí.
Coloquialismo
Coloquialismo
Buff...
Coloquialismo incessantemente orgásmico destes sóis que se vão pondo.
Coloquialismo
Buff...
Coloquialismo incessantemente orgásmico destes sóis que se vão pondo.
Sobriedade no Jardim Público de Évora
1 de Julho de 2009
1 de Julho de 2009
- Location:Jardim do Palácio de Cristal, Porto
Porque é que as pessoas não se dão, simplesmente? Sem pedir... Dar-se... Só... Eu sei que é pelo medo da rejeição e da dor, da brutalidade violenta à auto-estima e amor próprio. Mas não valerá a pena? Até porque dando-nos, assim, com um sorriso nos lábios, não existe dor, pelo menos dessa maneira... Existirá dor, senão a vida deixaria de fazer sentido, por muito que nos custe a acreditar e admitir. Mas seria diferente... Seria uma dor sorridente e confiante. As pessoas mantêm-se tendencialmente fechadas numa redoma de solidão em busca de uma segurança que é ilusão...
A minha vida nos últimos tempos parece-se estar a complexificar ao mesmo tempo que aumentam as possibilidades e o livre arbítrio. E eu... sinto-me uno, em paz, tranquilo, confiante no futuro, disponível, com propósito. No entanto... Parece que me falta alguma coisa... Não sei o que é, nem sequer sei se já a tive antes, ou algo parecido. Não faço ideia qual a sua natureza. Mas sou assaltado, de quando em quando, por uma "ansiedade", uma intranquilidade... O que és tu? Onde estás? É que esta sensação de quase-perfeição, de falta de uma peça, transforma-se facilmente num estado semelhante à tristeza, por vezes... Uma tristeza contemplativa, mas inexoravelmente triste, sem dúvida triste. Depois facilmente, nem que seja com uma boa noite de sono, me envolvo de novo na minha vida e no presente agradável, interessante e desafiante em que me encontro agora. Mas a falta continua lá. E impereterivelmente mostra-se ciclicamente, para não me esquecer do que ando aqui a fazer.
A minha vida nos últimos tempos parece-se estar a complexificar ao mesmo tempo que aumentam as possibilidades e o livre arbítrio. E eu... sinto-me uno, em paz, tranquilo, confiante no futuro, disponível, com propósito. No entanto... Parece que me falta alguma coisa... Não sei o que é, nem sequer sei se já a tive antes, ou algo parecido. Não faço ideia qual a sua natureza. Mas sou assaltado, de quando em quando, por uma "ansiedade", uma intranquilidade... O que és tu? Onde estás? É que esta sensação de quase-perfeição, de falta de uma peça, transforma-se facilmente num estado semelhante à tristeza, por vezes... Uma tristeza contemplativa, mas inexoravelmente triste, sem dúvida triste. Depois facilmente, nem que seja com uma boa noite de sono, me envolvo de novo na minha vida e no presente agradável, interessante e desafiante em que me encontro agora. Mas a falta continua lá. E impereterivelmente mostra-se ciclicamente, para não me esquecer do que ando aqui a fazer.
- Mood:
contemplative
Em certos casos de psicotropismo alterado, por causas quer endógenas como exógenas, atinge-se o estado psíquico da hiperactividade social. É visível, principal e quase exclusivamente nos outros, a alteração da unidade temporal interna no hiperactivo social.
Embora de definição difícil devido à ambiguidade do psiquismo individual, tem algumas características presentes de forma constante, como uma exotropia da atenção neuronal (definidora da própria condição), reacções sociocomunicacionais de amplitude exagerada, ou uma hiperactividade motora com características particulares: o indivíduo mantém constantemente, principalmente em situações de alguma inactividade socio-ambiencial § (ex.: transportes públicos) mas não exclusivamente - é comum notar-se precisamente nos momentos de actividade social mais marcada § mas com um teor pessoal elevado (ex.: conversas apenas com uma pessoa) - [mantém constantemente, dizia eu] uma actividade motora muito localizada, topograficamente altamente instável (entre membros numa mesma situação), com maneirismos motores (ex.: tocar com os dedos uns nos outros sequencialmente). Esta última manifestação tem, numa e noutra situação atrás referidas (§), causas muito diferentes, paradoxais como as próprias situações desencadeantes.
Em actividades sociais diminuídas, deve-se à desproporcionalidade entre uma aplicação muito diminuída de uma atenção/concentração exagerada. Daí resulta um escape atencional/concentracional para uma actividade motora localizada, que embora exigindo algum foco motor da atenção cortical, facilmente se esvanece devido à adaptação fácil a um trabalho neuronal rotineiro advindo da repetibilidade do gesto estereotipado.
Pelo contrário, em actividades sociais intensas, assiste-se a uma pretensiosa criação de uma desculpa social para a possibilidade de uma inatenção relativamente tanto à informação vinda do outro, como ao conteúdo ou até à forma do próprio discurso.
Estas duas situações aparentemente paradoxais têm em comum criarem uma situação "não fisiológica" para o equilíbrio entre a atenção in toto dispendida num momento e a exigência ambiencial no mesmo momento. Numa situação em que o indivíduo está impossibilitado na prática de modular o seu nível atencional, opta por uma estratégia homeostática complementar, agindo no outro factor: complexifica as exigências ambienciais criando exigências virtuais, ou seja, um estado de hiperautoatenção corporal por hipervirtualidade.
Todas estas manifestações de estados e os próprios estados que as geram têm uma intensidade proporcional à natureza/tendência psicótica do status quo psíquico momentâneo.
~20Abr'09
- Location:Quim
- Mood:
high
Estou tão cansado hoje... Deixo aqui só dois videos que me impressionaram, mas mais que tudo, encantaram nos últimos dias.
- Mood:
tired
Sóbrio.
Vigil.
Embotem-na assim mesmo
Deixem-se de regras e condenações
Considerações inúteis e hipócritas
Quando têm a faca e o queijo na mão
Continuam nessa indecisão
E ponderações de facto
e não de facto
Parem.
Respira. Respira mais.
Sofre assim mesmo
Animal, tudo o que tu és neste momento
Não tens como dizer não
Não tens como dizer sim
Ainda assim
Roças-te na amargura
Chafurdas na dor
Estatelas-te na agonia
E nem suspiras.
Porque respiras. Respira.
Entra em colaspo.
Deixa de lutar!
Deixa-te levar pela moca final
Deixa chegar o momento de confrontação final
Merda!
Deixem-na fazer o seu caminho
O caminho único e certo de todos nós
Que a nós compete protelar
E a nós compete aceitar.
A nós, e a mais ninguém, compete fazer amor com o grito excitado do fervor terminal.
Idiotice pegada.
Nojenta contemplação do status quo
Cegando-nos constantemente
Em energúmenas inaceitações
Do inevitável.
Sai-vos merda pela boca
Seus animais!
Suas bestas!
São piores que o santo ofício
Ao anestesiarem-se dessa forma.
Deixam cair assim
a responsabilidade da decisão
(qual não sei)
Em quem não tem poder
Para a tomar
Inútil confrontação do ser
Idiota contemplação da paisagem
Em negro breu
De consequências.
Meus palermas!
Nesta verborreia
me perco eu.
Em abafadas considerações
iluminadas pelas atitudes de facto
me perco eu, no meu caminho.
Hipócritas. Assassinos.
Incólume tristeza
Dos feitos do Homem.
Papparazzis da agonia.
Inconsequentes mecenas da indiferença afectiva.
Vigil.
Embotem-na assim mesmo
Deixem-se de regras e condenações
Considerações inúteis e hipócritas
Quando têm a faca e o queijo na mão
Continuam nessa indecisão
E ponderações de facto
e não de facto
Parem.
Respira. Respira mais.
Sofre assim mesmo
Animal, tudo o que tu és neste momento
Não tens como dizer não
Não tens como dizer sim
Ainda assim
Roças-te na amargura
Chafurdas na dor
Estatelas-te na agonia
E nem suspiras.
Porque respiras. Respira.
Entra em colaspo.
Deixa de lutar!
Deixa-te levar pela moca final
Deixa chegar o momento de confrontação final
Merda!
Deixem-na fazer o seu caminho
O caminho único e certo de todos nós
Que a nós compete protelar
E a nós compete aceitar.
A nós, e a mais ninguém, compete fazer amor com o grito excitado do fervor terminal.
Idiotice pegada.
Nojenta contemplação do status quo
Cegando-nos constantemente
Em energúmenas inaceitações
Do inevitável.
Sai-vos merda pela boca
Seus animais!
Suas bestas!
São piores que o santo ofício
Ao anestesiarem-se dessa forma.
Deixam cair assim
a responsabilidade da decisão
(qual não sei)
Em quem não tem poder
Para a tomar
Inútil confrontação do ser
Idiota contemplação da paisagem
Em negro breu
De consequências.
Meus palermas!
Nesta verborreia
me perco eu.
Em abafadas considerações
iluminadas pelas atitudes de facto
me perco eu, no meu caminho.
Hipócritas. Assassinos.
Incólume tristeza
Dos feitos do Homem.
Papparazzis da agonia.
Inconsequentes mecenas da indiferença afectiva.
- Mood:
pissed off
Não penses mais.
Deixa-te levar por ti próprio.
Cresce e aparece. Deixa-te crescer!
Porque em ti
Não há colagens
Existes tu.
Amarra a corda
Lança a âncora
Mas não pares! Deixa-te levar pela maré
Lança a âncora p'ra dentro do teu barco
Amarra-te a ti.
O vento mudará,
E tu também.
Deixa-te levar por ti próprio.
Cresce e aparece. Deixa-te crescer!
Porque em ti
Não há colagens
Existes tu.
Amarra a corda
Lança a âncora
Mas não pares! Deixa-te levar pela maré
Lança a âncora p'ra dentro do teu barco
Amarra-te a ti.
O vento mudará,
E tu também.
- Location:Comboio
O Frio na cara
Uma nova sensação
Um refrescar de intenções
Uma mudança de planos
Pela manhã
É o que será sempre o amanhã
Mesmo quando não me apercebo
Como tantas vezes antes
E tantas vezes que virão
Para quê pensar
Se pensar só tolda o pensamento
Não quero pensar
Quando o sol se levanta assim
Limpo. Claro. Encandeante.
Simples. Directo. Frontal.
Como os dias de iluminação.
Uma nova sensação
Um refrescar de intenções
Uma mudança de planos
Pela manhã
É o que será sempre o amanhã
Mesmo quando não me apercebo
Como tantas vezes antes
E tantas vezes que virão
Para quê pensar
Se pensar só tolda o pensamento
Não quero pensar
Quando o sol se levanta assim
Limpo. Claro. Encandeante.
Simples. Directo. Frontal.
Como os dias de iluminação.
- Location:Comboio
Traços panfactoriais
São originalmente conjuntos de genes dispersos por todo o genoma cujas influências congruem em determinados traços físicos expressados em regiões topográficas definidas, e usados por essa razão - embora seja por servirem essa finalidade que se produziu este sistema, ou pelo menos que se perpetuou - para uma discriminação estética de cada indivíduo, mecanismo este que tem a sua máxima expressão na preferência sexual.
É a explicação também da veracidade, pelo menos parcial, de certas artes como a iridologia ou a quiromância, coadunando também a associação provada de dismorfias faciais a alterações cromossómicas ou doenças genéticas. Talvez, no entanto, dentro dos traços estéticos considerados dentro do normal e dentro do atraente, a preferência específica por certas características (que até por vezes varia com a época cultural, períodos demasiado curtos para uma selecção/aperfeiçoamento de um mecanismo neuronal tão complexo) será um exagero deste mecanismo, uma linha muito ténue (e por esse motivo atreita a erros (défice) e exageros (excesso) na nossa avaliação estética dos pares) antes da qual não existe qualquer justificação selectiva biológica, e a partir da qual não existe qualquer benefício para a espécie. Este exagero será assim uma preferência primitiva infundada.
Não existe preferência não primitiva porque como a racionalização da escolha (personalidade, atitudes...) envolve uma preferência por características cerebrais que mais não são que traços panfactoriais psíquicos, em contraposição aos traços panfactoriais somáticos. Os traços panfactoriais psíquicos e somáticos podem ter o mesmo conjunto de factores genéticos dispersos pelo genoma (tal como uma determinada feição facial pode estar associada a um tipo de dedo do pé), não tendo esta separação nada que ver com a veracidade biológica, real (biologicamente esta classificação não existe, é o mesmo), apenas servindo para frisar a possibilidade de os traços panfactoriais psíquicos terem origem no mesmo processo, casos que podiam ser usados, numa abordagem mais superficial, como argumentos contra este modelo da racionalização, enquanto "bonita" excepção a esta regra de selecção de pares.
Por este mecanismo também se explica as semelhanças já largamente conhecidas, faladas, sistematizadas e até publicadas, entre a personalidade e as feições faciais e corporais (o indivíduo pícnico, leptossómico, etc.). Podeis argumentar que depois se vê como diversas excepções (que pela sua frequência deixam de ser excepções) ditam a falsidade destas associações (por demonstrarem que a personalidade depende de muitos outros factores). No entanto este argumento é falso, pois a personalidade é ela também panfactorial. Podeis também argumentar que este mecanismo peca por deixar ao genoma toda a responsabilidade do produto final, mas tal argumento também é falso, pois com panfactorial não se quer dizer pangenético. A genética e a miríade de locais topográficos do genoma e dea estrutura cromossómica elegíveis para conterem um factor são apenas um factor ou conjunto de factores possível de entre muitos. O conjunto, possivelmente superior em número, de factores que derivam da experiência sensorial são também um de muitos conjuntos de factores admissíveis em "panfactorial". E com estes dois exemplos muitos mais poderão ser admitidos, conforme a nossa experiência discorrer por entre territórios não antes considerados ou de todo conhecidos.
- Location:Metro Lx - Baixa-Chiado
- Mood:
high - Music:Led Zeppelin
Sonofobia, fobia de sons fortes, puramente psicológica, sem qualquer relação com situações otológicas, embora algumas vezes derive de obsessões de medo de que os sons fortes tenham consequências nefastas no tímpano, muitas das vezes álgicas - a otalgia (sonofobia otalgiofóbica). Por sua vez, as obsessões fóbicas que algumas vezes justificam o comportamento sonofóbico, radicam em experiências traumáticas, geralmente infantis, de otalgias intensas (p.e., otites repetidas) - sonofobia otalgiofóbica traumática - ou até derivando de um quadro de stress pós-traumático tipicamente relacionado com cenários de guerra, p.e., após lesão do ouvido médio por granadas. Neste último caso, podem-se observar formas de sonofobias que não são algiofóbicas mas sim hemofóbicas - sonofobia otorragiofóbica - no caso de a fobia radicar no medo de os sons fortes lesarem o tímpano ao ponto de provocarem hemorragia, com saída de sangue pelo canal auditivo externo - otorragia. Esta forma, no entanto, e tal como a algiofóbica, pode ter causa traumática (pós evento traumático em que o próprio ou em alguém próximo sofre de episódio de otorragia), ou não traumática, no fundo, confabulatória (mediante a possibilidade teórica de tal acontecer).
O sonofóbico, na evolução desta condição, eventualmente limita a sua vida diária por forma a não frequentar locais onde os sons fortes são comuns (espetáculos, discotecas, bares), alastrando os comportamentos de evicção para situações que apenas numa ínfima probabilidade poderão expô-lo a sons fortes (evita circular na proximidade de ruas com tráfego), e inclusivamente modelando o seu comportamento social, isolando-se e tomando uma atitude submissa, por forma a evitar a possibilidade de alguém, por graça ou por confronto, gritar ao pé de si. Pode culminar noutras patologias como a depressão, perturbação de ansiedade generalizada ou a ágorafobia.
Sssssshhhhhhh.....
- Location:Metro de Lx - Baixa-Chiado
- Mood:
calm - Music:Cat Power - Breathless
Prenúncio.
Não.
Le grand finale
"Imagine all the people
living life in peace"...
Pum!
Abram-se as portadas da toca
Entram os furões e vão furando
Furando furando furando
Um ponto final
Deixar a calma
exasperar-se de tédio
No remoínho de folhas secas
Sujar as mãos no pó
Ver o tempo passar
Quero a toca
O grande guião está bem feito
Viver a apoteose
De um lugar sentado.
- Mood:
indescribable - Music:Cat Power - Jukebox
@ Armação de Pêra | 2Fev'08
A criatividade é o fulcro da liberdade individual. Pensa-se muito nela, e esse é o erro em que nos aprisionamos constantemente. A pulsão essencial que discorre do nosso espírito é instintivamente analisada, validada ou não após um escrutínio implacável e exigente, muito embora sem princípio ou utilidade.
Deixamo-nos frequentemente assombrar por dois medos: o medo do infantil, e o medo do foleiro. Felizmente, hoje já se aboliram muitos outros, como o promíscuo ou o démodé, mas fizemo-lo apenas para dar lugar a outras igrejas como o sensual desmedido ou o rétro, que "ficam bem" e fogem assim, por uma ruela claramente sobrecarregada, à rejeição interna. O espontâneo terá um dia de ter validade per si, sem mais contemplações. Criação por criar, por desejo íntimo, sem ponderação de técnica, sem elitismos interiores. A validade existe dentro de cada univerrso pessoal, e assim dentro de cada cultura. O real e o verdadeiro não existem senão na nossa limitação. A individualidade e a irrepetibilidade serão sempre a prova da validade a priori da criação. Qualquer uma. Porque o momento criativo existe. Simplesmente. É.
Deixamo-nos frequentemente assombrar por dois medos: o medo do infantil, e o medo do foleiro. Felizmente, hoje já se aboliram muitos outros, como o promíscuo ou o démodé, mas fizemo-lo apenas para dar lugar a outras igrejas como o sensual desmedido ou o rétro, que "ficam bem" e fogem assim, por uma ruela claramente sobrecarregada, à rejeição interna. O espontâneo terá um dia de ter validade per si, sem mais contemplações. Criação por criar, por desejo íntimo, sem ponderação de técnica, sem elitismos interiores. A validade existe dentro de cada univerrso pessoal, e assim dentro de cada cultura. O real e o verdadeiro não existem senão na nossa limitação. A individualidade e a irrepetibilidade serão sempre a prova da validade a priori da criação. Qualquer uma. Porque o momento criativo existe. Simplesmente. É.
- Mood:
thoughtful
Dendrobium [01Jul'08 | keiki]
Dendrobium [01Jul'08 | keiki]
Dendrobium [01Jul'08 | keiki]
Dendrobium [01Jul'08 | keiki]
Dendrobium [01Jul'08 | keiki]
Qual sanguessuga vegetal, vai consumindo o corpo desnudado do seu antepassado, aproveitando-se da sua podridão e decrepitude, desgastando-o, desbastando-o, moendo-o em seu único benefício, chupando o que lhe resta de útil, numa sacra exsanguinação de fecho de um ciclo natural, previsto, inevitável e incensurável. As extremidades da corda do remoinho biológico unem-se por fim, discretamente, sob o sol de uma tarde como outra qualquer.
...Tu e a tua estagnação. Tu e a tua merda lamacenta, tu o teu paúl. Tu e as tuas noites e tardes, os teus momentos de anacronia, um tempo estagnado num tempo indescritível, imensurável e indiscernível. Sentas-te comigo no mesmo sítio que eu, envolves-me nesse torpor irreconhecível, sem prenúncio nem aviso, a ponto de não saber sequer de onde vem. Isto é bílis negra, daquela antiga de que nunca ninguém mais falou. É de repente, de um momento para o outro, entrar no zen errado, por engano - enganei-me na porta sem sequer abrir nenhuma. Tu abriste-a por mim... Ou antes: abriste-a tu por mim?
Fico eu nesta nostalgia do presente, sem acção nem reacção, sem reacção porque não houve acção para poder reagir! Esta densificação do ar que me envolve e que me limita, asfixiante, os movimentos. Foste tu? Foste tu que me provocaste esta resiliência imbecil?
Tudo é mais estranho quando não sei se foste tu, nem sequer se tu não és a presença mais constante de mim mesmo. Hei de te chamar tu? Eu? É melhor não chamar nada, não te vá eu invocar. Ou invocar-me, sei lá! Além de que tu, a seres tu, és tanta gente... Mas o sujeito não importa, o predicado é o mesmo: 2007 não acabará jamais. São cacos de mim próprio. Mas sem heterónimos nenhuns a embelezar a coisa.
