[Galerias]
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Era tão bom que tudo se resumisse a isto, tão somente isto. Esta complacência nobre, astuta, presente... fundamentalmente consciente, atenta, pronta.
Mais uma cachaça de dia ali, outro aqui, e as coisas passam e eu a absorver tudo, a absorver-vos a todos, todos...
Tudo passa e deixa marca em mim tudo vem e imprime-me de bom gosto.
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[Guardanapo]
Cachaça 51... Aqui estás tu. Escrita acolchoada esta...
Engraçada esta sensação!
Muito curioso, é outra liberdade, é outro médium!...
Médium.
No fundo tem sido esta a minha busca!...
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Será que é assim tão meu que é por isso e por isso apenas que o idolatro e protejo tanto?
Aquele proteger que por vezes se confunde com necessidade de recatez e sigilo, exclusividade como virtude, numa quase vergonha de exposição não pela possibilidade de acesso ao seu conteúdo mas pelo próprio secretismo do momento, uma religiosidade necessariamente presente, uma reserva na assumpção do acto, da verdade.
- Location:Casino Estoril
E tu, meu velho...
E tu que com um encolher de ombros
Abalaste o meu mundo
Me deste enfim a tua última lição
Que a felicidade não nos é dada
Não nos é a-priori
É conquistada
Todos os dias
Que a felicidade é um estado
Não um direito
Que para a felicidade não basta o amor
Não bastam os teus e tu
Que a felicidade é tão somente
Um estado que depende de nós
E do que recebemos e damos
Que a felicidade é efémera
Que é possível viver grande parte da vida feliz
E estar agora infeliz
Que é possível morrer-se infeliz
E eu quero acreditar
Que quando se morre infeliz
Mas se tem uma bagagem de felicidade
Que se espelha e concretiza nos que nos rodeiam
Se morre feliz, ainda assim.
E quando tu fores, meu velho?
E quando tu fores?
Como vai ser?
Como vou eu olhar de novo para a terra?
Como vou eu olhar para o luar, quando se sente a Terra sozinha, quando me sinto assim, vulnerável enquanto animal?
Como vou suportar o mundo em meu redor, se quando não existires vai ser essa precisamente a tua última morada?
Onde eu me adsorvo
Nessa inegável certeza imediata de que vivemos o mesmo mundo que tantos outros, que todos os outros, desde o início dos tempos?
Como vou eu lidar com essa única noção de ascendência, quando não me restar outra alternativa a personificá-la em ti senão passar a personificar-te nela?
Penso ser, neste contexto, a minha última evolução antes de morrer. Nasci e não conhecia. Abri os olhos e aprendi a reconhecer a imensidão do mundo e a nossa ligação com ele. Cresci, e descobri que tu, em mim, eras em ti mesmo a personificação dessa imensidão, que o grito rouco da origem e do tempo,
Morrerás, e concluirei no meio do vazio da perda, que mudaste de morada para as pedras do caminho. De volta à imensidão.
E um dia, também morrerei, meu velho. Como tu. E lembrar-me-ei de ti e de todos os outros que terei visto partir, e também direi adeus, porque viverão então apenas na minha memória, que morre com o meu corpo. E partirei também, para só então dar o último passo, em que depois de descobrir a imensidão, depois de metê-la em ti, e depois de te meter de novo na imensidão, serei eu também imensidão.
A constatação de facto de que existo, mesmo que apenas para mim, mas assim mesmo existo. Estou aqui, vejo isto, sinto isto. E o meu corpo está aqui, sempre esteve, sou eu. Eu.
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A ficção é apetecível mas irrealizável. Criar um momento fora de mim, da minha realidade, um presente paralelo. Talvez porque estou ainda muito preso e embrenhado na descoberta de mim mesmo, a aprender-me.
A descrição narrativa de um passado real... bem, será eventualmente possível, como aliás já foi. Mas é no entanto uma acção forçada, porque é necessária uma abordagem externa, é necessário desvirtualizar-me e abstrair-me no outro - não de forma reflexa em mim, mas sim de forma imediata e absoluta. E esse exercício é-me custoso, contrasensual e anti-natural. As concreções textuais que exalam de mim são necessariamente internas, senão deixariam de ser imediatas e absolutas, como as outras deixam sempre, mas mediadas e relativas - e portanto, desinteressantes e desprovidas de sentido.
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Cheguei recentemente à conclusão de que as dores de crescimento da alma são piores mas bem mais interessantes que as do corpo.
- Location:Fontaínhas
- Mood:
indescribable
Vvv
Sempre com o ar
Voando com o vento
Para longe de mim...
O toque do dedo que ficou
Em mim
A parte de mim que ficou
Contigo
Para sempre.
A incapacidade de amar
Que nos afastou assim, minha querida
Veio para onde veio ficar
Não quis uma despedida de porta
Quis uma de abraço
Assim, quente, como nós fomos um dia
Brancos como a inocência
Ingenuamente simples, ingenuamente dados em plena comunhão com o momento
Sem dor, sem pensamento.
Apenas sentir, aquele sentir que vibra e nos faz viver.
Olha para trás com um sorriso,
Sol,
Olha para trás com o sorriso
E para a frente com paixão.
Apaixona-te pela vida como te apaixonaste por mim
Faz amor na cama com o amanhã como eu me apaixonei por ti
Assim, enlouquecida, nua, despida
Com a pele eriçada com o frio dos pores-do-sol que te vão passando pelo peito
Como me passaram tantos
Como te passou mais um
Como a mim passou mais este em que me retenho eternamente neste momento, sem pensar, sem mais nem dor...
Mas esta dor que me assola, brutal, insensível, inconsequente
Como nós fomos para o mundo
Que assim nos devorou
Louco,
Como ver-te partir dessa forma, dessa cor, desse cheiro, desse ar rarefeito que se desfez entre as nossas mãos, entre os nossos dedos,
Nesse último toque que foi nosso.
Nesse último toque nosso.
- Location:Fontaínhas
- Location:Estoril, casa
Resplandeço na grande vista panorâmica de mim e no grande plano, le grand finale.
Mas o desfoco das horas ainda é meu companheiro, viajando por aí em calmos e quentes fins-de-tarde da minha alma.
Afinal, a hegemonia do agora sobre o ontem e o amanhã é o caminho, mas também o beco do momento.
- Location:Fontaínhas
Bem sei que este blog não tem, nem nunca teve, nem é minha intenção passar a ter a partir de agora, um cariz de opinião sobre actualidades, crítica política, ou qualquer deste tipo de coisas tão asifixiantemente... sei lá o quê. No entanto, não consigo deixar de... "referir" aqui, exposto de forma imparcial, uma notícia que me passou pelos olhos no Jornal Público de ontem, em que o general (eh pá engano-me sempre) Papa Ratzinger deu mais uma vez o arzinho da sua Graça (reparem como pus Graça com G maiúsculo). Deixo aqui então um extracto, reforçando que "arzinho" não teve, para todos os efeitos, qualquer sentido pejorativo.

(in link)
Queda do comunismo prova que humanidade precisa de Deus, diz o Papa
O Papa Bento XVI disse ontem, no terceiro e último dia da sua viagem à República Checa, que a queda dos regimes comunistas que tentaram eliminar a religião é a prova de que Deus não pode ser excluído da vida pública. Na missa que celebrou na cidade de Stara Boleslav, Bento XVI falou perante cerca de 50 mil pessoas, a maior parte dos quais jovens, de acordo com a Reuters.
(...) "Hoje são necessárias pessoas que sejam crentes e credíveis, que estejam prontos a espalhar, em todas as áreas da sociedade, os princípios e ideais cristãos", afirmou, (...) Citado pela AFP, o Papa recusou a submissão a "grupos de interesses ideológicos, a objectivos utilitaristas ou pragmáticos a curto prazo", bem como a construção da cultura apenas fundada em "argumentos em voga", sem referências a uma "autêntica e histórica tradição intelectual". (...) As relações entre o Estado checo e o Vaticano continuam ensombradas, não só por ter sido recusado um tratado de relações bilaterais, mas também por continuar adiada a restituição dos bens da Igreja, nacionalizados pelo regime comunista e reivindicados pela hierarquia católica. (...)
in Jornal "Público", 29 de Setembro de 2009
- Mood:WTF?
Por dentro de mim
Por dentro de mim
Mim adentro rolam
Sem saber.
Sem saber.
Negra estagnação que emerge aos remoinhos
Não sei descrever
Existes tu? Existo eu.
Eu tão somente e os sonhos de gelo que me vou criando
Erijo esfinges dos meus sonhos
De areia seca que se mantém enquanto acredito na essência
Equilibro-me de fronte de ti
Empoleirado em lápis de fantasia
Tu e a tua cor
Cor que sinto sem ver
E que assim se mantenha...
E não olho para cima
Apenas em frente, olhos nos olhos
Com esse iceberg que me demoveu
Não quero o submerso
Quero apenas o visível
E vislumbrar com peito vibrante
O submerso.
O submerso.
Temática fugaz.
La Palisse.
Que o tempo destrua tudo
Se o tempo não amar o mortal.
Não quero tempo
Não quero espaço
Apenas a inexorável existência.
- Location:Fontaínhas
- Mood:
contemplative
Impensável.
Sustenho a respiração e submerjo assim em ti por momentos, sem pensar.
Não, não me preocupo.
Mas sinto-me nervoso e não sei porquê.
Porquê? Isso sim, preocupa-me.
Mas encanta-me. E quero continuar a encantar-me assim, eternamente. Inconstantemente, mas eternamente.
Alimento-me de efemeridades fugazes e vou sendo surpreendido pela sustentabilidade de algumas, o que é bom e rega-me a alma. Essa coisa de que ninguém fala porque não é possível falar, nem sequer pensar.
A alma não se pensa, e por consequência não se fala. Apenas se sente. Sente-se crepitante por debaixo da pele e dissolvida na voz.
- Location:Fontaínhas
- Mood:
happy
Aqui estamos nós nesta eternidade
Fresca voluptuosidade de espírito
Que aponta tão somente para a frente
Para o caminho a percorrer
Pois os negros caminhos da Humanidade
Percorridos pé ante pé sem ponderação
Não são mais que reflexos inúteis e desinteressantes
Do a priori mais primitivo
Que cabe a nós ignorar
A cada peito cheio de ar
Que vemos pasar por aí.
Coloquialismo
Buff...
Coloquialismo incessantemente orgásmico destes sóis que se vão pondo.
1 de Julho de 2009
- Location:Jardim do Palácio de Cristal, Porto
A minha vida nos últimos tempos parece-se estar a complexificar ao mesmo tempo que aumentam as possibilidades e o livre arbítrio. E eu... sinto-me uno, em paz, tranquilo, confiante no futuro, disponível, com propósito. No entanto... Parece que me falta alguma coisa... Não sei o que é, nem sequer sei se já a tive antes, ou algo parecido. Não faço ideia qual a sua natureza. Mas sou assaltado, de quando em quando, por uma "ansiedade", uma intranquilidade... O que és tu? Onde estás? É que esta sensação de quase-perfeição, de falta de uma peça, transforma-se facilmente num estado semelhante à tristeza, por vezes... Uma tristeza contemplativa, mas inexoravelmente triste, sem dúvida triste. Depois facilmente, nem que seja com uma boa noite de sono, me envolvo de novo na minha vida e no presente agradável, interessante e desafiante em que me encontro agora. Mas a falta continua lá. E impereterivelmente mostra-se ciclicamente, para não me esquecer do que ando aqui a fazer.
- Mood:
contemplative
Em certos casos de psicotropismo alterado, por causas quer endógenas como exógenas, atinge-se o estado psíquico da hiperactividade social. É visível, principal e quase exclusivamente nos outros, a alteração da unidade temporal interna no hiperactivo social.
Embora de definição difícil devido à ambiguidade do psiquismo individual, tem algumas características presentes de forma constante, como uma exotropia da atenção neuronal (definidora da própria condição), reacções sociocomunicacionais de amplitude exagerada, ou uma hiperactividade motora com características particulares: o indivíduo mantém constantemente, principalmente em situações de alguma inactividade socio-ambiencial § (ex.: transportes públicos) mas não exclusivamente - é comum notar-se precisamente nos momentos de actividade social mais marcada § mas com um teor pessoal elevado (ex.: conversas apenas com uma pessoa) - [mantém constantemente, dizia eu] uma actividade motora muito localizada, topograficamente altamente instável (entre membros numa mesma situação), com maneirismos motores (ex.: tocar com os dedos uns nos outros sequencialmente). Esta última manifestação tem, numa e noutra situação atrás referidas (§), causas muito diferentes, paradoxais como as próprias situações desencadeantes.
Em actividades sociais diminuídas, deve-se à desproporcionalidade entre uma aplicação muito diminuída de uma atenção/concentração exagerada. Daí resulta um escape atencional/concentracional para uma actividade motora localizada, que embora exigindo algum foco motor da atenção cortical, facilmente se esvanece devido à adaptação fácil a um trabalho neuronal rotineiro advindo da repetibilidade do gesto estereotipado.
Pelo contrário, em actividades sociais intensas, assiste-se a uma pretensiosa criação de uma desculpa social para a possibilidade de uma inatenção relativamente tanto à informação vinda do outro, como ao conteúdo ou até à forma do próprio discurso.
Estas duas situações aparentemente paradoxais têm em comum criarem uma situação "não fisiológica" para o equilíbrio entre a atenção in toto dispendida num momento e a exigência ambiencial no mesmo momento. Numa situação em que o indivíduo está impossibilitado na prática de modular o seu nível atencional, opta por uma estratégia homeostática complementar, agindo no outro factor: complexifica as exigências ambienciais criando exigências virtuais, ou seja, um estado de hiperautoatenção corporal por hipervirtualidade.
Todas estas manifestações de estados e os próprios estados que as geram têm uma intensidade proporcional à natureza/tendência psicótica do status quo psíquico momentâneo.
- Location:Quim
- Mood:
high
- Mood:
tired
Vigil.
Embotem-na assim mesmo
Deixem-se de regras e condenações
Considerações inúteis e hipócritas
Quando têm a faca e o queijo na mão
Continuam nessa indecisão
E ponderações de facto
e não de facto
Parem.
Respira. Respira mais.
Sofre assim mesmo
Animal, tudo o que tu és neste momento
Não tens como dizer não
Não tens como dizer sim
Ainda assim
Roças-te na amargura
Chafurdas na dor
Estatelas-te na agonia
E nem suspiras.
Porque respiras. Respira.
Entra em colaspo.
Deixa de lutar!
Deixa-te levar pela moca final
Deixa chegar o momento de confrontação final
Merda!
Deixem-na fazer o seu caminho
O caminho único e certo de todos nós
Que a nós compete protelar
E a nós compete aceitar.
A nós, e a mais ninguém, compete fazer amor com o grito excitado do fervor terminal.
Idiotice pegada.
Nojenta contemplação do status quo
Cegando-nos constantemente
Em energúmenas inaceitações
Do inevitável.
Sai-vos merda pela boca
Seus animais!
Suas bestas!
São piores que o santo ofício
Ao anestesiarem-se dessa forma.
Deixam cair assim
a responsabilidade da decisão
(qual não sei)
Em quem não tem poder
Para a tomar
Inútil confrontação do ser
Idiota contemplação da paisagem
Em negro breu
De consequências.
Meus palermas!
Nesta verborreia
me perco eu.
Em abafadas considerações
iluminadas pelas atitudes de facto
me perco eu, no meu caminho.
Hipócritas. Assassinos.
Incólume tristeza
Dos feitos do Homem.
Papparazzis da agonia.
Inconsequentes mecenas da indiferença afectiva.
- Mood:
pissed off
